Nini Flores (ou Chamamé de Guerra)

por Luiz Carlos Borges
Nini Flores
crédito: Divulgação

Há uns 10 anos atrás o Yamandu Costa me ligou e disse: -Véio, tu tem de conhecer os correntinos, o Duo Rudi y Nini Flores. E eu respondi: -Bah, conheço muito, tenho um montão de gravações deles. É uma maravilha.
E ele me retrucou: -Mas conhece pessoalmente?
-Não, ainda não!
-Então trata de conhecer. Eu não sei o que é melhor neles; se as pessoas ou a música que fazem. Neles, a alma e o ser se confundem!

Logo depois dessa conversa telefônica a estrada e a música me proporcionaram conhece-los. Estabelecemos de imediato uma amizade intensa e verdadeira além de uma grande cumplicidade musical de chamamé, vanerões, choros, rasguido-dobles e milongas que sempre estiveram acompanhados de um bom churrasco y buen Vino.

Passamos a nos ver, seguidamente, entre idas minhas (eu e meu fiel companheiro Yuri Menezes) e vindas deles, para atuações lá e aqui. Em 2010 o Capucho nos convidou para tocar no festival “Choro/Jazz” de Jericoacoara, no Ceará. Para lá nos fomos com nossos Vanerões e Chamamés, cada vez mais unido e parceiros.
Na virada de 2010 para 2011 nos reunimos no Rio de Janeiro, na casa do Yamandu e da Elodie, comemoramos a amizade e, entre um assado e outro, gravamos um CD que tem o nome de “Cosa de Hermanos” (e que até hoje, por descuidados, ainda não editamos, nem lançamos). O disco tem 16 temas entre autorais e de outros compositores.

Muita coisa em um curto espaço de tempo (menos de 10 anos completos de convívio), mas de um excepcional aproveitamento e aprendizado, inesquecíveis. Nini sempre foi mais silencioso que o irmão Rudi; ambos de pouca prosa, porém muito verdadeiros.

Coisa linda quando Nini mirava pra gente e dizia: -Que bamos a tocar Borges? E eu respondia, qualquer coisa Nini; Lo que decida vos. E ele me largava: -Bueno entonces vamos a tocar um “Chamamé de Guerra”! De esses que el hombre siente gana de gritar, bailar, salir puerta afuera, pelear… heheheheh. Que figura, Nini Flores!

Agora, há apenas 15 dias atrás, nos juntamos do dia 18 ao dia 23 de julho, aqui em Poa. Tocamos no Projeto Decolagem (no Sargento Peppers), cantamos, bebemos, falamos nos filhos, na vida e no quanto estávamos vivendo grandes momentos, ele com sua esposa Verônica e a filhinha Victória Arami de 8 meses e eu com Andressa e Gregório. Saudamos e comemoramos, largamente, a graça desse momento.

Hoje pela manhã (8/8) me chega uma mensagem do músico e amigo o bandeoneonista Diego Gutierrez dizendo: Borges, querido amigo, falleció Nini Flores.

Sem querer acreditar, mas, logo vendo que a notícia se espalhava pelas redes sociais, engoli o amargo de uma tristeza muito dolorida. Nini Flores o chamamecero acordeonista, bandeoneonista, compositor, arranjador, o cidadão correntino que andou pelo mundo quer fosse ao lado do pai Avelino (de quem herdou o nome) ou do irmão Nestor Dardo (conhecido artisticamente por Rudi Flores), quer fosse acompanhando intérpretes pelos grandes palcos do planeta, o Amigo sério, silencioso e com alma de criança, acabava de morrer. Seguramente, jamais o esqueceremos. Com Rudi, teu irmão e querido companheiro de musica e estrada, aqui seguiremos con tu Chamamé de Guerra, con tu alma correntina y recordando siempre de tu sentir chamamecero! UN FUERTE SAPUKAY POR NINI.

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