Mas Bah!

por Maurício Marques
Grupo Mas Bah!
crédito: Divulgação

Ola! Primeiramente vou quebrar o protocolo e a forma da escrita de meu texto para me
apresentar. Comprimento aos leitores dizendo que este é o primeiro texto que escrevo para este site, a convite da minha amiga Tania Goulart. Quero dizer que fiquei muito feliz e honrado com o convite e me coloco à disposição debates a respeito dos assuntos que irei comentar por aqui. Tenho uma estrada razoavelmente grande dentro da música, entre palcos de festivais, salas de concerto, turnês pela Europa, EUA, América do Sul, curso superior em musica, mestrado em composição, enfim, sem querer me vangloriar, gostaria de dividir minha opinião sobre musica com vocês. A parte boa de escrever é que posso dividir meus parcos conhecimentos sobre musica com meus alunos, ouvintes e leitores e assim aprender cada vez mais a partir dos debates. O assunto que me inspirou a escrever foi a audição de um CD.

Há poucos dias, durante uma gravação do programa Galpão Nativo da TVE, tive a grata satisfação de encontrar o grupo “Mas Bah”. Rapaziada legal, com um trabalho novo, muita energia. De primeira o Jacson Jaques, que é membro do grupo veio falar comigo de cara alegre, lembramos que ele já havia estudado musica comigo, me deu um disco do grupo “Mas Bah Desplugado”, que eu entrei no carro e coloquei o CD a rodar. Ate chegar em casa, devo ter ouvido umas duas vezes o CD inteiro, pois o transito esta cada vez pior nesta cidade…

Mas dai fiquei ouvindo e pensando nas ideias sobre musica, festivais, rumo estético da musica regional gaúcha do Rio Grande do Sul, entre outras coisas.
Felizmente aqui no RS temos grandes referencias em grupos vocais. Podemos começar citando o Conjunto Farroupilha, que tinha a coordenação do nosso grande Tasso Bangel e viajou o mundo com arranjos vocais de alto requinte, vozes muito bem conduzidas e instrumentação riquíssima, indo muito além do usual.

Podemos citar o incrível Tambo do Bando, que vez historia nos festivais, com um pé no gauchismo e o resto do corpo na musica urbana, com uma pegada forte, ótimos arranjos e muita energia. Alias eu mesmo cheguei a grava-los quando a pedido do Geraldo Flach produzi um disco para a companhia Zafari, “A Musica dos Gaúchos”. Também temos o grupo vocal Canto Livre, que muito representou a obra do sempre querido Sergio Napp e tem lindas gravações nos festivais, o Grupo Status, que fez parte de muitos festivais e levantou diversas premiações de arranjos. Não sei bem quantos estão na ativa, mas de qualquer maneira, são e sempre serão importantes para nossa musica.

Mas voltando ao que eu ia dizer sobre o grupo Mas Bah, é a que a impressão que tive é que a música deste grupo tem leveza, flui sem maiores pressões, sem necessidade de sotaque carregado, sem precisar “forçar a barra” pra dizer que é gaúcho. Em uma das faixas podemos ouvir inclusive um Samba, que é sem duvida o elo que une o País musicalmente.

Com todo o respeito de nossos artistas merecem, eu penso que renovação estética na nossa música é muito bem vinda, algo que reflita outro lado do povo gaúcho, o gaúcho urbano, que tem outras referências de mundo. Penso que muitas vezes o artista não canta que vai pegar o cavalo, ou usar esporas, “camperiar”, ou fazer qualquer alusão ás lides campeiras perde a sua posição enquanto artista gaúcho. Precisamos repensar esta estética, e precisamos de artistas com coragem de mostrar outras faces do gaúcho. Um gaúcho que tem uma vida urbana. Eu acho que o grupo Mas Bah esta está levantando uma bandeira de renovação, indo de encontro a outros músicos que gostariam de mostrar o que pensam musicalmente. Podemos trazer novas harmonias e elementos rítmicos, instrumentações diferentes, letras com outros temas e outras referencias para dentro de nosso regionalismo, fazendo com que esta música demostre que somos gaúchos do Brasil.

Parabéns e vida longa ao Grupo Mas Bah, que possamos ouvir novos trabalhos deste grupo e de outros que tenham a coragem de cantar a sua verdadeira aldeia para serem universais.

teste
TAGS: Mas Bah!, música, violão, violonista,

  Veja também

interpretação na dança

A interpretação na dança!

“A interpretação da dança é da maior importância e validade, pois traduz as características de uma época… a expressão de vida de uma coletividade… o desenvolvimento socio-cultural de uma comunidade… enfim, o folk, que é o próprio sentir, agir e reagir natural do povo!” (João Carlos D´Ávila Paixão Côrtes) Depois de uns dias um pouco…

A harmonia na dança

Harmonia é o substantivo feminino com origem do idioma grego e que indica uma “concordância” ou “consonância” tanto a nível artístico como a nível social, tanto por história da palavra quanto por significado da mesma. Em resumo, harmonia é o resultado natural da verdade: É um conceito clássico que se relaciona às ideias de beleza,…

Arquivo Paixão Côrtes

Sapateios – Parte 2

“Que a dança é uma diversão e não uma obrigação. Quer dizer: é prazeroso, tanto para a dama, pra prenda, quanto pra o homem! (…) O que nós estamos vendo, naturalmente, agora, são espetáculos, são shows. São bonitos e alegres, mas não são tão autênticos…” (João Carlos D´Ávila Paixão Côrtes) Nos elementos da nossa dança,…

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Vertentes