Começo Pelo Final

por Paulo de Freitas Mendonça
Evento de Assunção no Paraguay
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Atendo imediatamente ao convite da querida amiga Tânia Goulart para fazer parte de equipe de colunistas do seu site ABC do Gaúcho. Ela me sugere que escreva exclusivamente sobre poesia oral improvisada e ao mesmo tempo me solicita que seja didático. Isto para mim é um grande desafio porque circulo num grupo que conhece muito bem o tema, e as questões de entendimento desta arte já nos são redundantes, mas faço o possível para cumprir com o papel fundamental do jornalismo, “escrever ao homem de marte” que é uma metáfora para definir o conteúdo do verdadeiro texto de um jornalista, considerando que seu leitor aterrissa no planeta e começa a ler seu texto, sem conhecimento técnico anterior sobre o tema abordado. Espero que sejam úteis meus humildes escritos e possam proporcionar conhecimentos aos leitores que desconhecem esta arte que amo tanto e que me proporciona visitar lugares, conhecer gentes e aprender sobre as culturas de diversos países.

Começo a abordagem do tema Poesia Oral Improvisada pelo final, como faz qualquer bom improvisador, pensa em primeira instância o último verso, para depois construir sua estrofe de improviso e ter seu arremate de ouro com o verso que vai ficar na memória da plateia ou pelo menos entusiasmar aos expectadores que retribuem com seu aplauso.

A poesia oral improvisada comemora atualmente uma das mais importantes vitórias contra o esquecimento, porque verso de improviso é verso solto ao vento e por consequência disso, versos de olvido. Os países formadores do Mercosul reconhecem, através de seus ministérios de cultura e suas embaixadas, a pajada, (payada para argentinos e uruguaios e paya para os chilenos) como patrimônio imaterial do Mercosul. É o primeiro bem cultural imaterial reconhecido como tal pelo bloco, por ser representativo e autóctone dos países do sul do continente americano. O reconhecimento oficial acontece numa reunião dos ministros de cultura dos países do Mercosul, em Brasília e é oficializado em importante cerimonial no primeiro Festival Cultural do Mercosul, em novembro de 2015, em Assunção, capital do Paraguai, com a presença de improvisadores dos quatro países citados.

Mas o que é a pajada pode me perguntar “o homem de marte”. Eu respondo com prazer que pajada é uma forma oral de improvisação poética, ou seja, a construção de um poema na hora, de improviso, ao calor da emoção e que versa sobre qualquer tema que possa parecer pertinente ao momento. É a arte que nasce e morre no mesmo instante, se ninguém gravar. Ficam na memória dos que o assistem, os conceitos criados pelo pajador, mas excetuando-se uma possível gravação, ninguém, nem mesmo o autor tem condições de recriar o mesmo verso, depois de dito. E, isto é o que causa tamanha admiração no público que aprecia esta arte.

Mas então é uma trova, pode me perguntar “o homem da terra rio-grandense”. Respondo sim e não. Sim, porque ambas são poesia oral improvisada e não, porque cada uma tem sua estrutura estrófica, sua linguagem, seu esquema rimático e sua característica artística. Pode me perguntar “o homem da terra nordestina brasileira” se é uma cantoria ou “o homem da terra europeia” se é um trovo, ou “o homem da terra paulista” se é um cururu, ou ainda “o homem da terra fluminense” se é partido alto, e a resposta é a mesma, sim e não.

Por ser a improvisação a arte mais antiga da humanidade e ao mesmo tempo a mais contemporânea porque versa sobre estrutura tradicional com temas da atualidade, a resposta não pode ficar num simples sim ou não. Vamos tentar responder semanalmente as inquietações, e isto pode nos permitir desvendar os mistérios da poesia oral improvisada, definir sua geografia, conhecer suas mais diversas nomenclaturas, suas estruturas estróficas, suas temáticas, seus adornos instrumentais, seus cultuadores, seus principais autores no mundo, os improvisadores referenciais de cada cultura, as obras gravadas e os livros editados que podem abrir um universo maior aos visitantes virtuais, os homens e mulheres aos quais queremos nos dirigir através da boa vontade cultural de Tânia Goulart.

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TAGS: improviso, Pajada, Paulo Mendonça, verso,

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