A interpretação na dança!

por Diego Muller
interpretação na dança
crédito: Lidiane Hein/Divulgação

“A interpretação da dança é da maior importância e validade, pois traduz as características de uma época… a expressão de vida de uma coletividade… o desenvolvimento socio-cultural de uma comunidade… enfim, o folk, que é o próprio sentir, agir e reagir natural do povo!” (João Carlos D´Ávila Paixão Côrtes)

Depois de uns dias um pouco ausente da coluna, mas não olvidado de todos, retorno para completar a série de dois textos, sendo um sobre a Harmonia e outro sobre a Interpretação nas nossas danças. Essa série são complementos de anotações geradas no ano de 2015, que fomentaram algumas discussões sobre os assuntos, inclusive reproduzidas e estudadas em painéis e alguns cursos de amigos Brasil afora. Por essas iniciativas, reorganizo–os de maneira mais ampla e nítida, para o público agora leitor da coluna e do ABC do Gaúcho também refletir.

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A Interpretação!

A dita interpretação… e tão discutida interpretação, assim, vem de uma ação que consiste em estabelecer, simultânea ou consecutivamente, comunicação não verbal (ou verbal, o que não é o nosso caso) entre duas entidades. Interpretação é um termo ambíguo, tanto podendo referir-se ao processo quanto ao seu resultado – isto é, por exemplo: tanto ao conjunto de processos mentais que ocorrem num leitor quando interpreta um texto, quanto aos comentários que este poderá tecer depois de ter lido o texto. Pode, portanto, consistir na descoberta do sentido e significado de algo – geralmente, fruto da ação verdadeiramente humana.

Hoje, a dança gaúcha tem dado extrema importância para essa intenção na cena artística, principalmente após o lançamento histórico e revolucionário do livro BAILE E GERAÇÕES, de Paixão Côrtes (em 2001, em SC), dando maior relevância a este setor da dança, alertada em outras publicações já, porém esquecida e mal interpretadas por parte da grande massa de grupos de antão. Claro que a dança (como reprodução que hoje ela é) é arte, se torna arte… e sendo arte precisa ser sentida, mesmo que os sentimentos sejam diferentes a cada individuo, mesmo que devam estar conectados com uma territorialidade nossa e mesmo reproduzindo um ciclo temporal de sociedade antiga e também nossa. Acreditamos, assim, e a partir disso, que a nossa dança é um estado de evocação, de realização, seja pelo próprio dançarino ou com o público em si.

Antigamente, nas nossas apresentações artísticas (e ainda hoje, inclusive), tornava-se comum assistir a um grupo regido de muita técnica, onde a virtuose ultrapassa a percepção e o olhar, questionando a falta de expressividade, de vida e de verdade no movimento dos mesmos. Ou seja, falta de vida (corporal e facial, ou ainda integrado entre si)… e com razão! Lembramos que a presença de vida, de expressão, não necessariamente significa estafa, cansaço, suor, risadas, exageros e, como dito acima, de virtuose. A vida, aqui, podemos apresenta-la como uma ação inexplicável do movimento pelo movimento, isto é: longe da técnica pela técnica somente.

O que faltava então a esses grupos?

Faltava era justamente o sentimento… a história desta dança. Fato que com o tempo foi se percebendo o quão importante é interpretar enquanto se desenvolve a técnica corporal automática. O quão importante é o nosso lugar. A nossa dança, como simbiose gaúcha e crioula de terra. Como identificador de gente e de lugar. E, a partir daí, então começaram algumas questões entorno da dança, buscando compreender: os propósitos de cada dança, os escopos das danças gaúchas como um todo, o que a dança deve mostrar, quem as dançava, como as dançava, o que o dançarino deve demonstrar, a que público se quer atingir, quais os padrões estéticos devemos e podemos criar, como lidar com as inovações dos recursos no complemento do trabalho do artista, etc.

Para entender isso, gosto muito de ouvir comentários de pessoas leigas à dança. Pois mesmo sem entenderem da técnica, na maioria das vezes o bailarino preferido é aquele que cativa seu público de alguma maneira a mais, que sente a música, que consegue demonstrar exatamente cada acorde, cada instrumento que a orquestra toca. O bom bailarino (ou o bom grupo) é aquele que consegue demonstrar cada suspiro, toque, musicalidade desse som que está sendo transmitido ao público, e consegue trazer a poesia interna para o olhar do manifesto (de novo: não necessariamente enfocando na estafa, no fadiga, transpiração, risadas, demasias e virtuoses).

Interpretação é sentir, sentimento é arte…
…mesmo sem ferir o fato de que nossas danças não tenham nascido no seio do povo para ser arte simplesmente, e sim para ser divertimento pessoal e interpessoal social. Aí está o fato!

Se a dança é fomentada sob a ótica da “técnica pela técnica”, nunca poderá ser diversão, prazer e interpretação. Talvez teatralmente possa ser lida assim, mas não como prazer próprio! O prazer do dançarino, aí, geralmente se explana do conseguir teatralizar tal fato ou tal cena, mas não de algo que a própria dança gera… não da reação sobre a dança em si e somente dela. Importante salientar isso, apesar de complexo!

Apresento aqui uma forte afirmação sobre não considerá-la arte, portanto, a partir do viés de que devemos apresentar algo que se transite entre dois importantes patamares: a técnica e a alma a partir da dança em si. Ou seja, unir esses elementos a fim de viabilizar tanto ao artista quanto ao público, na honestidade do trabalho, dados pelo intermédio da interpretação… sem uma reação ou intenção alienígena à nossa arte e nossas motivações gaúchas do porquê dançar, historicamente (lembramos que somente há o “Baile do Masquê” como manifestação rural gaúcha teatral em nossa sociedade. Nada mais!).

A técnica já é e vem da mecânica… técnica é método, processo, artifício… elementos da construção de um dançarino e uma dança: um meio, não ela como fim! Por isso que INTERPRETAÇÃO não pode ser TÉCNICA… deve ser da alma e da nossa gente: da alma que nossa gente tem e tinha! Sendo assim (sempre foi assim… e é pra ser assim): a interpretação gera expressão, que se transforma em performance. Transforma-se em um momento íntimo do dançarino, transparecendo-o para e com o público. Dessa forma a dança é como um jogo: o dançarino apresenta sua intimidade para o público, mostrando quem ele realmente, onde ele aprendeu e de onde ele veio… e o público recebe a informação, mas também devolve esse jogo, com o olhar, com o sentimento, com o aplauso, com o envolvimento… e assim se torna parte do artista, correspondendo a esse estímulo.

O público sempre reage com verdade e espontaneidade. Que estranho é sermos mecânicos no transparecer de uma interpretação em palco e recebermos verdade por conta da reação do público para com a gente. Não acham?

Claro que não será nunca possível, do dia para a noite, implantar essa visão nos instrutores, nos avaliadores (conseguindo deixar o dançarino tão bem mais a vontade para ser ele mesmo em palco)… e nos próprios dançarinos, hoje balizados pela interpretação pantomímica de um sentimento que ele era para ter, mas não consegue, por se envolver exageradamente na “técnica pela técnica”. É um trabalho de consciência dentro da própria dança como um todo, com conhecimento e com tempo.

Interpretação gera intérprete… o intérprete passa… é condutor.
Se não consegue conduzir verdadeiramente esta em baixa qualidade (ou equivocado) com sua função… se conduz erroneamente a intenção, a mesma baixa qualidade é identificada no seu setor de interpretação.

Às vezes o dançarino até consegue passar corretamente a interpretação do tema, porém o seu grande problema está em conseguir CAPTAR do mesmo os detalhes necessários para se contar ao público. É como um filme: a história está correta, porém fixam-se em particularidades desnecessários dentro de um roteiro para se recontar a seguir. Dessa forma (na dança que realizamos) devemos buscar não falhar com a interpretação e com o sentimento em nenhum momento do trabalho. Isso desde os ensaios, nas apresentações, nos concursos, histórias e contextos folclóricos e tanto mais. O dia que isso acontecer a alguém, talvez seja a hora de rever os conceitos e pararmos com a dança… ou partir para outras vertentes, tão artísticas quanto, porém distintas a nossos motivos bailarinos e de sociedade rural. Se isso já acontece, e se a interpretação deve ser mesmo vista de forma técnica e teatral, é hora de reiniciarmos nossos conceitos lá do zero.

Nossa dança nunca nasceu disso e para isso… então porque conta-la ao público sob essa vertente? …se perguntem!!! …Não é um erro!?

A maior dificuldade que percebemos no alunato, nos profissionais, instrutores e “avaliadores” da nossa cultura, é a falta de expressividade presente no trabalho ao bailarino (expressividade como um todo – e, de novo, não necessariamente virtuose). O que aqui apresento como expressividade é o casamento entre o SENSÍVEL do artista e a TÉCNICA harmônica, articulando através da dança uma interpretação que poderíamos chamar aí de COMPLETA, onde o olhar caminha junto com o movimento e com a música… e o público se torna verdadeiramente receptor deste acontecimento. De modo geral, os dançarinos não se autoconhecem hoje em dia. São trancados. Não se libertam, inventando então “interpretações” forçadas e, principalmente, “não gaúchas”, caricatas (já que exagero também é um “erro” muito grave de interpretação) ao nosso meio rural e crioulo. Há de fazer com que os dançarinos sejam eles mesmos, se autoconhecendo e conhecendo nosso lugar de origem… tirando disso tudo os movimentos sentimentais e sensíveis da dança, por ela mesma.

Há de se experimentar e viver as descobertas da própria dança, os desafios do bailar, e principalmente, transmitir a sua própria vida pessoal em cima de um palco de dança!

De forma metodologia (filosofando sobre a interpretação), podemos separa-la em três partes e níveis, abrangendo nelas vários fatores por onde somos motivados a sentir e interpretar. Algumas danças abrangem as três de forma harmonicamente. Já outras possuem uma hierarquia entre os tópicos em sua própria história e coreografia. Há de se saber identificar isso… e tentarei explicar:

01-INTERPRETAÇÃO LEITORA: Saber o que a música/tema está dizendo é fundamental para que tenhamos mais elementos para interpretá-la. Afinal, não basta apenas fazer a leitura melódica pela pessoa, mas também interpretar o que o tema quer transmitir, gerando essa ação através do corpo, do olhar e de gestos (se a dança permitir), ajudando a um público leigo a entender a ideia de sua dança e/ou coreografia. Aqui incluímos, na “interpretação leitora”, os motivos também da dança, sua origem, seu local, sua tipologia de dançarino e suas intenções não descritas na letra, porém encrustadas na intenção da própria.

02-INTERPRETAÇÃO MUSICAL: Outra maneira de saber interpretar é sobre a música… na musicalidade. Aqui entendemos e conseguimos transmitir as mudanças de humor da própria, suas dinâmicas, finalidades e variações. Em um momento ela inicia, fica mais alegre, se encerra… em outros se identifica mais melancólica, mais apaixonada, introspectiva, forte, devota, cerimoniosa, etc… principalmente quanto à música instrumental. A música se comunica com o bailarino. E esse tópico, incrivelmente hoje em dia, ainda, nos falta muito em nossas danças apresentadas (creio que maior ainda por parte dos próprios músicos). É como se fosse uma poesia, mas ao invés de palavras o compositor utiliza-se de sons para compor os seus versos, ou os versos que gostaria de poder dizer. Esse modo de interpretação consiste em compreender a música através de suas frases, suas dinâmicas (principio, meio e fim), identificando assim: ritmo, tempo, melodia, nuances (crescendo e suavizando), além dos instrumentos (solo, base, acompanhamentos, arranjos, etc). Então, só depois de feita a leitura da música mentalmente, podemos começar a desenvolver os movimentos corporais em cima dela. Pois, de que adianta uma música melancólica e um sorriso animado sendo representado? …e vice-versa?

03-INTERPRETAÇÃO EXPRESSIVA: Aqui, o mais importante! Após ler os tópicos acima, entendendo-os, também de que adianta saber ler a dança e suas intenções e saber interpretar seus humores musicais, se não há a capacidade de expressar essas intenções corporalmente a partir dela? …de senti-las? Aí entra a pergunta: “Interpretação e Expressar podem significar a mesma coisa?” Partindo desse principio, podemos dizer que: Não! Podemos interpretar uma música e uma dança, acompanhando o humor dela, utilizando-se apenas da leitura musical e coreográfica e colocando a nossa visão percebida naquilo que estamos dançando. Mas aí é onde entra a expressividade do bailarino, aquele “je ne sais quoi” (o “não sei o que”) que faz com que a gente não tire os olhos dele, que faz a gente como espectador se emocionar, se arrepiar e muitas vezes até chorar, retribuindo com o aplauso e a admiração. Há de sentir e saber passar (independente de virtuoses), se autoconhecendo (o que pouco ocorre), conseguindo ter movimentos corretos (faciais e/ou corporais), sentimentais e belos, de auto padrão artístico… e, assim, interpretativo!

Bueno…
Expressar significa sentir aquilo que se diz e se quer dizer, e traduzir através de gestos e movimentos cada sentimento ou pensamento que envolve o humor da melodia. Sentir e passar. Não devemos nunca inventar e passar (lembrando que TEATRO e DANÇA são duas artes em separado… diferentes e sentidas de formas diferentes!).

Sentir não necessariamente é ir ao extremo… ao suor… ao cansaço… ao exagero… beirar a virtuose (confundida constantemente com qualidade). Não precisa rir, como se ganhasse na loteria. Chorar, como se estivesse triste. Gritar, como se dançar fosse uma conquista. Sapatear, como se “quanto mais ponta e taco” melhor. Dar a mão, como se alguém fosse cair de um penhasco. Etc e etc. Dançar é sentir, e sentir significa sobriedade, responsabilidade (com a própria dança e com o lugar de onde viemos). Significa respeito. Reflete imponência. Avesso a sinônimos de “farrismos” e exuberâncias!

Em resumo, o que mais vemos hoje em apresentações de dança é uma exibição de técnica sem fim (“técnica pela técnica”). Você vê leitura musical impecável, mas quando olha pro rosto do bailarino, é um sorriso de anúncio de pasta de dente colado na cara o tempo todo. Ou ainda, nas prendas, aquele carão de “eu sei que eu estou maravilhosa, perfeita, por que ensaiei horas e horas justamente para sorrir”. A dança fica sem paixão, sem sentimento, é só exibição técnica (inclusive no rosto). De que adianta dizer que ama a dança, que é movido por música, se ao chegar na hora de se comunicar com a melodia não se tem uma boa “interpretação musical”… a ponto de às vezes parecer estar em um palco de teatro ou de um filme em vez de um palco de dança? A dança sem expressão verdadeira fica incompleta… incompreendida!

Deixo aqui, para finalizar esse texto (que a milonga já ficou comprida por demais): É muito difícil de termos um grupo, um instrutor e um dançarino interpretando de maneira realmente rural e cabocla nas nossas danças. Interpretar como eram e é a nossa gente. Interpretando com um sabor realmente de “algo do sul” (e é aí sim que podemos dizer da autenticidade da mesma e da forma da dança se expressar). Parecer ser de campo e do mundo “de fora” (de onde vieram TODAS as nossas danças, absolutamente todas) é de estrema importância para refletirmos quem realmente somos. Nossas danças não são de palco. Nossas danças não são de elite. Nossas danças não são de teatro. E se acaso percebermos que essa interpretação rural não acontece com frequência, é porque realmente é muito difícil de ser entendida… e, se alguém acaso a realize, aí é nível “hard” de interpretação (desculpem a analogia), mesmo que deixe a desejar em outros quesitos (inclusive da própria interpretação). Portanto, deve de ser valorizado por extremo!

Somos crioulos e rurais, caboclos de ramos índios e portugueses… e é isso que queremos também manter, interpretar e passar. Devemos! Não somos virtuoses, cheios de luxos, de pompas e fineses europeias. Somos de campo… de mangueira… de galpão e mato… gente feita da terra e do verde do horizonte. Somos crioulos nascidos de uma pátria rude e difícil de um país balizado pelo samba compreender. Não podemos nos confundir e nos mentir!!!

Falta sermos nós mesmo em palco (e isso já aprendi em casa mesmo, na minha entidade). Falta sermos quem aprendemos ser, darmos nossas ações de baixo de palco também em cima dele. Sermos espontâneos. Verdadeiros nos movimentos, tanto em cima do tablado como somos fora dele, gesticularmos como nós mesmos… para justamente INTERPRETARMOS corretamente e não de maneira FALSA! Falta nos arrepiarmos com um simples toque de gaita de um “maçanico”!

Serei sempre o mesmo abaixo e acima do tablado… por isso posso dizer, e acredito: SEI INTERPRETAR!

Viva a dança! …viva apenas!
Ela sabe o que fazer com um dançarino!

Leiam, sem falta: ASPECTOS DA SOCIABILIDADE GAÚCHA (antes de qualquer outro livro), DANÇAS E ANDANÇAS (para saberem onde elas foram recolhidas) e BAILES E GERAÇÕES (sem achar que devemos de ser europeus). Os três livros de João Carlos Paixão Côrtes que mais falam da gente, das danças e de como devemos ter em nossas ações de palco. Garanto que os três ensinam muito mais do que qualquer outros livros de Coreografia em si.

Não se enganem com o que sempre tivemos!…
Há mais que isso em nosso UNIVERSO da dança RURAL!

Salve!

*Foto: Lidiane Hein – Fegadan 2015

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TAGS: Dança, interpretação,

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