Agora vai

por Luiz Carlos Borges
Luiz Carlos Borges
crédito: Divulgação

O convite da amiga e comunicadora Tânia Goulart para escrever e, se possível, manter uma coluna no espaço que hora está sendo relançado com cara nova, como site, me pegou num daqueles momentos de serenidade e sem vontade de falar a palavra Não! Daí aceitei o desafio. Ela pediu que assinasse pelo menos uma coluna por semana, ao que novamente ela recebeu uma resposta animadora: Legal. Acho que dá.

Mas não dá. Passaram cinco dias do convite, hoje já é sexta-feira e amanhã (sábado) acontecerá o lançamento, com música, convidados animados, etc. e eu estou aqui (22h e 15 min) tentando criar um assunto para fazer uma boa estreia junto aos leitores, seguidores, compartilhadores, todos os “ores”…, mas não vem. Acostumei exercitar minha criatividade com sonoridade, ideias musicais, melodias, acordes, ritmos, arranjos… E faço isso desde os cinco anos de idade! Ou seja, há quase sessenta anos exercitando, todo dia, o raciocínio nessa direção por um caminho que já não posso, mas que também não quero abandonar. Entendem porque me é difícil escrever em lugar de musicar? Hahah! Acabo de lembrar-me de um fato ocorrido comigo. Vou compartilhar contigo Tânia e, consequentemente, com teus seguidores.

Lembro que em 1982, o jornalista Airton Ortiz, me pediu que opinasse sobre Discos, LPs que lhe passavam para receberem algum comentário na página de música de seu popular Jornal Tchê, que tinha uma boa tiragem e era famoso também pelas matérias e entrevistas geradoras de muita polêmica. Falei para o Ortiz: vamos tentar. Cheguei a comentar três discos e pedi demissão do cargo de colunista. Ao receber cada edição nas quais havia escrito me sentia muito incômodo e deslocado. Não recordo os nomes dos três discos comentados, mas um eu lembro demais. Era um pequeno com quatro canções somente, gravado pelo grande Jerônimo Jardim. Eu gostei muito do que ouvi, mas na minha santa ignorância (sem pedir socorro para o Ortiz), imaginei que tinha de, no mínimo criar uma polêmica, criticar, achar defeitos, problemas, etc. e escrever nesse rumo. Assim fiz. Ouvi umas duas vezes e escrevi meia dúzia de elogios ao artista e um montão de coisas negativas, especialmente, sobre um dos temas gravados, o xote Eu Vim do Sul. Era uma coluna bem econômica, acho que umas quinze linhas, aproximadamente, porém se fazia enorme diante do pequeno escritor.

Passado alguns meses, encontrei o Jerônimo num festival, acho que foi na Califórnia em Uruguaiana. Eu me preparei para ouvir algumas boas respostas da parte dele e, para minha surpresa, quando veio o assunto ele teceu um comentário, que não lembro em detalhes, mas acho que foi mais ou menos assim: “o bom de ter uma coluna num jornal é que cada um escreve as besteiras que quiser; não concordo com quase nada do que você assinou, mas se é como você pensa e como teu coração manda, não vamos brigar por isso”. E ainda me deu um baita abraço. Que lição!

Amiga Tânia, esse episódio já tem mais de trinta anos, a gente vai acomodando as abóboras nesse andar da carroça e, certamente, vivendo grandes e boas experiências ao longo dessa trajetória, conquistamos credencial para retomar o velho barco encalhado.

Dito isso, vamos em frente. Vamos tentar de novo e desta vez, com mais cavalo. Conte comigo e minha vontade de acertar. Que esta nova fase de teu trabalho, rodeada de amigos e colaboradores, seja para engrandecimento da arte, da cultura, do serviço da comunicação e obviamente, para tua alegria e de todos os leitores.
Ah, só uma coisa: Quinzenal, tá bom?
Com a benção de Deus, AGORA VAI.
Porto Alegre, 08 de abril de 2016 (23h e 25 min).

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TAGS: América-latina, folclore, Luiz Carlos Borges, música,

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